Quando a estética substitui a ética
Entrámos em 2026 com uma sensação estranha de desalinhamento. Como se o mundo continuasse a andar, mas sem bússola. Como se falássemos cada vez mais, mas disséssemos cada vez menos. A verdade não desapareceu de forma súbita. Foi-se diluindo, aos poucos, entre slogans, imagens bem compostas e mensagens politicamente eficazes, ainda que vazias.
Hoje, aquilo que vemos raramente corresponde ao que sabemos. E aquilo que sabemos já não resulta, necessariamente, de reflexão ou de análise crítica. Resulta da repetição, da exposição constante, da normalização de discursos simplistas. Frases feitas, muitas vezes proferidas por responsáveis políticos com uma ligeireza inquietante, como se governar fosse sobretudo um exercício de comunicação e não de responsabilidade.
Assistimos, com uma normalidade preocupante, à ascensão de mensagens pobres para problemas complexos. Discursos que ganham espaço não pelo seu conteúdo, mas pela sua capacidade de circular. A política........
