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O choro de Pedrinho, e a tentativa de reconstrução que não está na tabela

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23.03.2026

O choro de Pedrinho, e a tentativa de reconstrução que não está na tabela

Tem um tipo de choro que não nasce da fraqueza, mas do excesso: de cuidado, de expectativa, de responsabilidade. O choro de quem apostou alto não só dinheiro, mas também pedaços de si. Foi esse o choro do Pedrinho, dono da SAF do Cruzeiro, depois do empate da equipe mineira diante do Santos, ao se deparar com o resultado de um clube que ainda não venceu no Brasileiro e de uma torcida que, com razão, cobra respostas.

Porque, no futebol, ninguém investe só planilha. Investe esperança. Pedrinho colocou dinheiro, reorganizou casa, tentou dar rumo. Trouxe Gerson, bancou a permanência de Kaio Jorge, contratou Tite, depois de ter apostado alto em Leo Jardim e de ter passado perto de conquistas em 2025. Voltou a ser campeão estadual após 8 anos. Fez o que muitos prometem e poucos cumprem: assumiu o risco.

Só que o futebol tem dessas ironias cruéis: nem sempre o esforço se traduz em vitória, e às vezes o trabalho sério demora mais do que a paciência permite. Agora investiu de novo ao trazer Arthur Jorge.

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De um lado, a arquibancada. A mesma que canta, que empurra, que ama sem contrato assinado. A mesma que, quando a bola não entra e os pontos não vêm, protesta, vaia, cobra. Não por maldade, mas porque também investe tempo, emoção, identidade.

Do outro lado, Pedrinho. Um gestor que também é torcedor, o que talvez seja sua maior virtude e, ao mesmo tempo, seu maior peso. Porque quando o resultado não chega, ele não consegue simplesmente desligar. Não é só um negócio indo mal. É um sentimento que escapa.

Chorar, nesse caso, não é desistir. É o oposto. Quem sabe não viva o momento em que alguém que sempre teve respostas começa a encarar perguntas difíceis: "O que mais posso fazer?", "Onde foi que errei?", "Será que estou sozinho nisso?". E talvez o mais duro: "E se, mesmo fazendo tudo, ainda não for suficiente?".

O Cruzeiro ainda não venceu no Brasileirão. O tempo, no futebol, é sempre curto demais para quem perde e lento demais para quem espera. Mas há algo ali que não se mede em tabela: a tentativa genuína de reconstrução. Talvez Pedrinho não saiba exatamente o que fazer agora. E, para alguém acostumado a decidir, isso dói mais do que qualquer derrota. Mas o futebol também é isso: um lugar onde nem sempre quem mais se importa vence primeiro.

Às vezes, quem mais se importa é justamente quem mais sente. Mas enquanto houver alguém chorando, porque quer ver o clube melhor, ainda há algo vivo ali. E isso, no fim das contas, é o que faz com que qualquer historia ,por mais triste que esteja, ainda carregue o brilho do futebol. É loucura insana e o preço alto de ser dono de um time pelo qual se é apaixonado.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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