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Não podemos normalizar; É a torcida que empurra ou encurrala?

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06.04.2026

Não podemos normalizar; É a torcida que empurra ou encurrala?

A cena já virou rotina e talvez seja exatamente esse o problema.

Na porta do CT do Corinthians, torcedores se acumulam, gritam, cobram, pressionam. Para muitos, é só mais um capítulo da relação intensa entre clube e arquibancada. Mas, olhando com um pouco mais de calma, fica a pergunta incômoda: quando foi que isso virou normal?

A torcida do Corinthians sempre foi símbolo de apoio incondicional. É uma das maiores forças do futebol brasileiro. Mas há uma linha tênue, quase invisível, entre apoiar e pressionar, entre cobrar e intimidar.

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E essa linha tem sido cruzada com frequência preocupante.

A porta do CT não é arquibancada. Não é espaço de jogo, nem de espetáculo. É ambiente de trabalho. Jogadores podem e devem ser cobrados pelo que fazem dentro de campo, mas transformar a rotina deles em um corredor de tensão, onde sair de carro vira um ato de enfrentamento, não pode ser tratado como algo natural.

Porque o perigo da repetição é justamente esse: a gente se acostuma.

Se acostuma com o grito mais alto, com a cobrança mais dura, com o clima mais hostil. Se acostuma a ver isso como "parte do futebol", como se a paixão justificasse qualquer forma de manifestação. Mas não justifica. Não deveria justificar.

O futebol brasileiro sempre foi movido por emoção, e o Corinthians talvez seja um dos maiores exemplos disso. Mas emoção sem limite vira excesso. E excesso, quando vira rotina, deixa de ser exceção e vira cultura.

E é aí que mora o risco.

Normalizar esse tipo de pressão fora de contexto é aceitar que o futebol ultrapasse barreiras que não deveriam ser ultrapassadas. É permitir que o jogo saia do campo e invada espaços onde o respeito deveria ser regra básica.

Cobrar faz parte. Protestar também. Mas há formas e lugares.

Porque, no fim, se tudo virar aceitável em nome da paixão, a gente perde justamente aquilo que faz o futebol ser tão grande: a capacidade de unir sem precisar intimidar.

E talvez esteja na hora de lembrar que apoiar um clube, qualquer clube, não pode significar tornar o ambiente ao redor dele insustentável.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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