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Ao vetar ajuda a Bolsonaro, Lula não ignora que ele foi o alvo do golpe

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08.01.2026

Lula não tinha outra alternativa a não ser vetar hoje a redução de penas que beneficiaria líderes civis e militares da tentativa de golpe de Estado no Brasil, a menos que quisesse passar para a História como um líder fraco e omisso. Vale lembrar que a intentona ocorreu para impedir que ele governasse. Não só isso: parte do plano incluía matá-lo por envenenamento, como ficou claro no julgamento no STF.

Sancionar uma ajuda a quem planejou executá-lo e roubar seu cargo seria equivalente a um personagem de Nelson Rodrigues gritando a plenos pulmões, nu na Esplanada dos Ministérios: "Perdoa-me! Perdoa-me por me traíres!".

Lula escolheu o aniversário de três anos dos atos golpistas do 8 de janeiro para o veto. Lembrando que a invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília, foi apenas a cereja do bolo de um processo que começou em 2021, com o ataque ao sistema eleitoral e às instituições, passou por impedir que eleitores de Lula fossem votar, envolveu reuniões entre Jair Bolsonaro e o comando militar para que as Forças Armadas melassem as eleições (o coração do golpe), além de planos de execuções e prisões.

Daniela Lima

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