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Volta à vida num romance o único europeu guilhotinado na Guerra da Argélia

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09.01.2026

Jornalista, é autor de "Notícias do Planalto"

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O torneiro mecânico Fernand Iveton foi tirado da cama pelos guardas pouco antes das cinco horas da manhã e empurrado aos safanões para o pátio da prisão. Seus advogados lhe contaram que o presidente da República negara o indulto. Era segunda-feira, 11 de fevereiro de 1957.

O escrivão perguntou se tinha algo a declarar. "A vida de um homem, a minha, pouco importa", respondeu. "O que importa é a Argélia. Ela será livre amanhã". O capelão indagou se precisava de orações. Iveton ensaiou um sorriso e disse que não.

O carrasco o aguardava ao pé do cadafalso. Espantou-se ao saber que o condenado se chamava, como ele, Fernand. Verdugo e vítima também compartilhavam legados paternos. Um Fernand, o apelidado de Senhor de Argel, era filho de carrasco. O outro, o comunista com os braços amarrados às costas, filho de comunista.

Os advogados buscaram abrigo no corredor que levava ao patíbulo. Um se ajoelhou e levantou ao céu as mãos postas. O outro encostou a testa na parede e chorou.

"São cinco e dez quando a cabeça de Fernand Iveton, número de matrícula 6101, 30 anos,". Termina assim, numa vírgula, o romance

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