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Só os infelizes verão a Deus

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04.01.2026

Escritor e ensaísta, autor de "Notas sobre a Esperança e o Desespero" e “A Era do Niilismo”. É doutor em filosofia pela USP

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"Na época de Hitler, ainda acreditávamos nos livros a ponto de queimá-los." William T. Vollmann, "Central Europa", Companhia das Letras. Hoje, não queimamos mais livros. O que vale para os livros vale para as fogueiras da Inquisição.

O ódio é uma forma poderosa de fé. Existem várias formas de fé. O ódio é uma forma de fé comumente desprezada pela teologia ou pelos estudos de religião. Eu suspeito que seja uma das experiências espirituais mais densamente vividas por quem a tem.

Há inúmeras razões para se odiar Deus. Talvez, para além das almas místicas e poéticas, as razões do ódio a Deus sejam o caminho mais reto para a fé na metafísica como um todo. Se Deus é bom, por que o justo sofre? Essa questão permanece como uma trave no olho do cristão.

E que o leitor letrado nas diversas formas de espiritualidades antigas que imaginaram deuses maus não pense que estou pensando no ódio a um deus mau, mas, sim, no ódio a Deus por ele ser o criador amoroso do cristianismo. Se Deus é bom, por que o mal parece vencer em toda parte? Fere, sem dó, a carne dos inocentes?

Odiar um deus mau não é uma forma de fé, mas, sim, puro racionalismo ou mesmo uma........

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