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Palmas e palminhas

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Segunda-feira, 21 de setembro

Logo que termina o noticiário da tarde da SIC, a emissão segue em direto para Júlia Pinheiro, que apresenta a convidada do seu programa da tarde, a atriz Manuela Couto. “Mas antes, temos um recadinho para dar”, anuncia a anfitriã. O “recadinho” na verdade é um segmento de quatro minutos em que Júlia Pinheiro vende uma banha da cobra para emagrecer a 55 euros, logo seguido de um recado maior com 17 minutos de publicidade, o que significa que a emissão só volta à convidada Manuela Couto vinte e um minutos depois, sendo que então Júlia Pinheiro fica vinte segundos a enaltecer as virtudes artísticas de Manuela Couto, antes de interromper-se a si mesma para anunciar um novo “compromisso publicitário” de dois minutos e meio dedicado a um suplemento de cálcio, suplemento esse que deveria ser oferecido a todos os espectadores que toleram este modelo e estrutura de programa lá em casa. A começar por mim, claro.    

Segunda-feira, 21 de setembro

“Roda da Sorte apresentado pela Cristina Ferreira? Não faz sentido. Ninguém faz sombra ao Herman, que apresentou o mesmo concurso nos anos 90, com Cândido Costa e Rute Rita”. 

Isto era eu antes da estreia de Roda da Sorte na TVI a semana passada. Depois da estreia, penso de forma diferente. Ninguém faz sombra ao Herman. Mas Cristina Ferreira consegue brilhar à sua maneira.

É verdade que passei a semana a tentar encontrar razões que justificassem a decisão de Cristina Ferreira em enfiar-se no horário absolutamente suicida das 19h00 dos dias úteis, que ao longo dos anos se tem revelado desastroso para os canais que tentam competir com o Preço Certo da RTP – e sistematicamente perdem. E mais me custa compreender como se combate o género do Preço Certo com um produto da mesma natureza e para o mesmo segmento de público como é a Roda da Sorte, que Cristina Ferreira agora apresenta, trinta anos depois de Herman José ter destruído o cenário da Roda da Sorte com os tiros de uma caçadeira. 

Mas, por um lado, há que dar a mão à palmatória a Cristina Ferreira, como apresentadora, produtora, ou diretora de programas, por nunca desistir de lutar pelas audiências, de tentar mudar o status quo, ou estabelecer um novo status quo para o fim de tarde na TVI. 

Por outro lado, e basta ver a forma descontraída e provocadora como apresenta Roda da Sorte, Cristina Ferreira está em velocidade de cruzeiro, não lhe apetece fazer um reality, quer passar despercebida e regressar a outro tipo de entretenimento, mais ligeiro e conservador porventura. E está a divertir-se imenso no processo. 

A diferença, passados 30 anos, é que, enquanto nos anos 90 era Herman José quem detinha as armas de fogo para disparar em todas as direções, agora Cristina Ferreira é o alvo a abater por parte da opinião pública, que impinge padrões de comportamento e moral à apresentadora, mesmo quando envolvida num simples programa de baixa rotação como a Roda da Sorte. Não precisamos de gostar da Roda da Sorte ou idolatrar Cristina Ferreira para perceber que aquilo funciona bem. Por isso, talvez fosse boa ideia o Fernando Mendes  militarizar-se. 

Terça-feira, 22 de setembro

Dois meses depois de Luís Represas, morre Jorge Palma. E novamente se lança o grande........

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