Menos opinião, mais ação
Não vou alongar-me em comentários sobre as eleições presidenciais. As análises e opiniões são tantas, em todo o lado, que o valor das palavras se degrada numa floresta com tamanha densidade.
Ficou em primeiro lugar quem se previa. Vai desafiá-lo, também sem surpresa de maior, o homem que beneficiou da fragmentação do eleitorado de direita. O duelo Seguro-Ventura não se revela propriamente muito estimulante, já que a probabilidade de o antigo líder do PS sair vencedor é altíssima. O interesse substantivo reside em saber-se quantos votos o líder do Chega conseguirá e até que ponto reúne munições para apertar ainda mais o PSD. Com o paiol muito ou pouco cheio, Ventura não vai dar tréguas a Luís Montenegro, que, se já vive apertado actualmente, ainda maiores dificuldades enfrentará. O seu objectivo de, como ele próprio diz, agregar a direita passa necessariamente por aniquilar o PSD. Encurralará o primeiro-ministro cada vez mais, obrigando-o a encostar-se ao PS e reforçando o discurso que, há muito, ensaia de que ele e o Chega - eles sim - são quem encarna os valores da direita e quem constitui, de facto, a oposição que quer a mudança.
Não é, pois, difícil de prever que Luís Montenegro e José Luís Carneiro irão ficar dependentes um do outro, andando de mãos dadas, mesmo que, na aparência, os entendimentos sejam apresentados como muito complicados de alcançar e o País........
