O preço da liberdade é a segurança
Costuma atribuir-se a Thomas Jefferson a ideia de que o preço da liberdade é a vigilância eterna. Quem a formulou, em 1790, foi o advogado irlandês John Philpot Curran, mas a autoria pouco importa. Importa que continua certa e que, em Portugal, nos habituámos a pagar esse preço com o esforço de quem veste uma farda, sem nunca termos acertado as contas com essas mulheres e esses homens.
O país é reconhecido como um dos mais pacíficos do mundo. Esse capital não caiu do céu. Foi acumulado, turno a turno, por agentes da PSP, dos Serviços Prisionais e militares da GNR que patrulham, fiscalizam e acorrem ao que mais ninguém quer enfrentar. E o contexto em que o fazem mudou. A criminalidade organizada tem hoje ramificações internacionais, os fluxos migratórios exigem controlo e integração, as cidades e as fronteiras vivem sob pressão sazonal e as ameaças híbridas deixaram de distinguir o interno do externo. A cada nova exigência, o Estado responde da mesma forma: pede mais aos........
