Reflexões sobre a Venezuela – I
Os EUA começam 2026 com uma intervenção militar. Os venezuelanos começam o ano com a esperança de se tornarem livres. Um povo condenado à miséria, à repressão, à perseguição, à tortura, à morte e ao êxodo consegue agora vislumbrar a luz da liberdade. A procissão ainda vai no adro e a democracia liberal não está garantida nem o chavismo, ainda que cadavérico, está completamente morto, mas um raio de luz é incontestavelmente melhor que a escuridão imposta por mais de duas décadas de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
As manifestações populares que bem espelhavam o descontentamento para com o regime culminaram na vitória da oposição nas urnas no verão de 2024, mas o grito de mudança do povo foi suprimido. A supressão por parte do Partido Socialista Unido da Venezuela, que mereceu o apoio, o silêncio cúmplice, ou uma envergonhada condenação da elite bien-pensant americana e europeia, deve ter sido em nome da Vontade Geral venezuelana contra os interesses estrangeiros. O povo enganou-se, e quem melhor que o socialismo para os corrigir? Nada que uma visita guiada ao centro comercial do Helicoide, em Caracas, não........
