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O Matuto e a Sopa do Dia

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09.06.2026

O Matuto entrou num café sem grandes ambições. Queria apenas beber uma bica, talvez acompanhada duma torrada. Comer uma sopa. E contemplar em paz a condição humana. Era um projecto modesto. Quase monástico. Sentou-se junto à janela e pediu a ementa.

A empregada sorriu com simpatia.

— É só apontar o telemóvel para o código.

O Matuto seguiu a direcção do dedo da rapariga e deu com um pequeno quadrado negro impresso na mesa. Ficou a observá-lo como um antropólogo vitoriano diante de um ídolo tribal descoberto na Amazónia.

— Não tenho telemóvel — esclareceu.

A empregada pareceu momentaneamente surpreendida. Era como se o Matuto tivesse confessado não possuir rins ou sistema circulatório. Aos olhos da jovem, acabara de se juntar aos Amish, aos monges trapistas e a outras espécies em vias de extinção.

Durante alguns segundos instalou-se um silêncio embaraçoso. O quadrado negro permanecia entre ambos,........

© SOL