Não é justiça forte. É justiça espetáculo
A justiça devia ser o lugar da serenidade. O último reduto da prudência num país cada vez mais dominado pela vertigem do imediato. Em Portugal, há muito que deixou de o ser. Há vinte e três anos, o país acordou em choque perante a decapitação pública de um partido político. O processo Casa Pia deveria ter servido de lição definitiva para todos nós. Transformou suspeitas em sentenças sociais, manchetes em condenações morais, e vidas inteiras foram esmagadas no espaço público e pela histeria mediática antes de qualquer decisão definitiva dos tribunais. O dano ficou. Irreversível. Mesmo para quem nunca foi condenado pelos tribunais.
E o país nada aprendeu.
Miguel Macedo, antigo ministro da Administração Interna, foi obrigado a afastar-se da vida política em 2014, após suspeitas no ‘caso dos vistos gold’. Seriam precisos quase cinco anos para se ver ilibado de todas as acusações, mas o mal estava feito. A reputação estava........
