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Alquimia do Serviço. Do guardião da porta ao curador do tempo

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21.01.2026

As funções na hotelaria não nascem de manuais. Nascem de necessidades humanas. Antes de existirem rececionistas, concierges ou hosts, existiu alguém que abriu uma porta a quem vinha de fora. A história das funções hoteleiras é a história da forma como aprendemos a acolher e de como esse gesto foi sendo organizado e reinterpretado ao longo do tempo.

Do acolher como dever até aos dias de hoje

Na Antiguidade, a hospitalidade não era uma profissão, mas um dever moral. Na Grécia, a xenia estruturava o acolhimento ao estrangeiro. Em Roma, as mansiones integravam a rede viária imperial. Ao longo das rotas comerciais, os caravanserais protegiam viajantes e mercadorias.

Não existiam cargos formais, mas funções essenciais estavam já presentes, receber, alimentar, proteger, orientar. O primeiro rececionista foi um guardião do limiar, responsável por transformar o estranho em hóspede. Na Idade Média, esse gesto institucionaliza se nos mosteiros e albergarias, onde servir não era eficiência, mas responsabilidade.

Entre os séculos XVI e XVIII, a hospitalidade assume carácter económico e reconhece se o valor do tempo do viajante. No século XIX, o hotel moderno organiza esse tempo e afirma se como instituição social. Ao longo do século XX, a hotelaria........

© Sapo