O Natal e o progresso
A quadra natalícia é sempre objeto, ou veículo, de várias reflexões. Sejam elas religiosas, sociais, políticas, ou económicas, o aniversário de Jesus – para crentes e não crentes – tem um dom natural, porque culturalmente enraizado, para as suscitar. Uma época de solidariedade, amor – e, deve dizer-se, de elevado consumismo –, que, em condições ideais, junta tantas gerações e famílias cujo contacto pode não ser tão frequente quanto desejariam durante o resto do ano. De forma curta, é do melhor que a civilização ocidental, com o selo indelével do cristianismo, tem para oferecer; uma tradição que merece respeito e um lugar de destaque na nossa cultura.
O parágrafo anterior pode parecer do mais elementar senso comum, porque é. Ou já foi. Até há pouco tempo, quando o complexo de culpa ocidental começou a ganhar terreno à boleia de uma blitzkrieg secularista e relativista que tentou, com algum sucesso, derrubar as fileiras de uma herança comum, reduzindo-a à insignificância histórica; uma mancha que deveria ser apagada a todo o custo. No processo, assistimos a uma constante........
