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Teodoro e a curiosa lista

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28.07.2026

O Professor Teodoro Ramalho gostava do Cais das Colunas pelas mesmas razões que os antigos gostavam dos portos: nunca se sabe exatamente quem desembarca.

Naquela manhã o Tejo amanhecera cinzento, quase londrino por distração meteorológica. Uma névoa delicada de serenos minerais subia da água e Lisboa parecia falar em surdina. Teodoro encostou a bengala de madeira rosewood ao parapeito de pedra. Do charuto Montecristo subia uma espiral de fumo que se confundia com a bruma. Lenta, lentíssima, parecia também ela contemplar o rio.

Foi então que o viu. Um homem enorme caminhava na sua direção.

Não era apenas alto. Era vasto. Tinha a imponência tranquila das catedrais e a bonomia de um urso domesticado por freiras beneditinas. Vestia um pesado sobretudo escuro, inadequado para Lisboa, um chapéu mole ligeiramente inclinado para trás e trazia uma bengala que, nas suas mãos, parecia um simples guarda-chuva. O rosto era redondo, quase infantil, escondido por um bigode abundante. Mas eram os olhos que mais impressionavam: olhos de criança que já lera demasiados livros, mas continuava espantada com o mundo.

O homenzarrão aproximou-se.

A voz tinha o peso confortável do inglês antigo. Teodoro sorriu.

— Gilbert Keith Chesterton, suponho.

O gigante inclinou ligeiramente a cabeça. O Professor retirou outro Montecristo da........

© Sapo