Quando até a corrida presidencial mergulha no lodo
Há momentos em que a política deixa de ser confronto de ideias e passa a ser um ruído permanente. A campanha para Presidente da República que agora atravessamos tem esse sabor amargo. Não porque discutir o futuro do país seja inútil, mas porque o fazemos de cabeça baixa, no meio de insinuações e ataques que ainda não percebi bem quem visam agradar no país. Demasiado ressentimento, demasiada maledicência e muito pouca elevação. Quando isto acontece numa eleição para a mais alta magistratura do Estado, o problema já não é de um candidato ou de outro. É de um sistema político que se habituou a viver de polémica e esqueceu a sua função. Lamento profundamente o ponto a que chegámos.
A Presidência da República não é mais um palco. É, ou deveria ser, o último refúgio de sobriedade institucional. O lugar onde a palavra pesa mais do que a vaia e onde o silêncio vale mais do que o soundbite. Quando vemos que ali também se instala a lógica do ataque fácil, algo se perdeu no caminho.
Nos últimos anos, a política transformou‑se num produto descartável, feito à medida do ciclo mediático. Governa‑se ao ritmo da reação e do “like”, discute‑se como quem faz scroll. A frase rápida substitui o argumento, a indignação instantânea substitui o trabalho de fundo. Há uma cultura que confunde exposição com liderança e........

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