Poucos peritos, muitas máquinas
Oitenta e dois por cento dos empregadores portugueses não conseguem preencher as vagas que abrem. É o inquérito Escassez de Talento 2026 do ManpowerGroup, a 39 mil empregadores em 41 países, e coloca Portugal no top-5 mundial, contra uma média global de 74%.
O número que interessa a quem tem máquinas é outro. Na indústria, o setor sob maior pressão, a escassez sobe para 88%, e o estudo detalha onde dói: 41% não encontram profissionais com competências em indústria e produção. Não é gente de escritório. É quem instala e repara equipamento. Frio industrial, motores elétricos, hidráulica, automação.
O instinto é contratar. Raramente resulta.
Estes perfis não se recrutam de um mês para o outro nem se formam num curso de fim de semana. Levam anos de oficina, e quem os tem já trabalha noutro lado. Uma empresa pequena que disputa com uma multinacional perde. A pergunta está mal feita. Não é preciso encontrar mais peritos que não existem; é preciso dar aos poucos que existem o alcance de muitos.
Hoje a manutenção vive em regime de emergência. A........
