menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Wagner Moura e o E.T. cultural de Hollywood

9 8
07.01.2026

Há cenas que não foram escritas para serem históricas, mas acabam sendo. E há outras que não foram feitas para aparecer — porém, justamente por isso, dizem muito mais do que a cerimônia inteira. O episódio ocorrido em 4 de janeiro de 2026, em Santa Monica, Califórnia, durante a 31ª edição do Critics Choice Awards, pertence à segunda categoria. Não foi um grande escândalo, nem um momento de aplausos intermináveis. Foi, sim, uma brecha no verniz cultural que revela o que muitas vezes fica por baixo do glamour.

O prêmio de melhor filme estrangeiro para O Agente Secreto poderia ter sido apenas uma nota de rodapé: aplaudido por alguns, esquecido por muitos. Mas a entrega desse prêmio aconteceu de qualquer jeito, ainda na fila de entrada do tapete vermelho, antes mesmo do início formal da transmissão, como se aquilo fosse um protocolo menor — um item a ser conferido no backstage da consagração principal.

Não chamaram os brasileiros ao palco. A mensagem implícita era simples: isso aqui não é o coração da festa. O coração, como sempre, bate em inglês.

Foi então que Wagner Moura, convocado às pressas, fez o que poucos fariam naquela circunstância: aceitou o prêmio — e, em segundos, deslocou seu sentido. Ao entregá-lo ao diretor

© Revista Fórum