STF sob intenso fogo amigo
Na manhã desta terça-feira, 15 de setembro, o Supremo Tribunal Federal abriu uma sessão inédita em sua história: pela primeira vez, o plenário foi convocado para decidir se autoriza uma investigação contra um de seus próprios ministros. Alexandre de Moraes chegou ao julgamento atingido pelas revelações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master; André Mendonça, responsável por parte da apuração que produziu o material, também entrou sob fogo dos colegas. Em poucas horas, a crise saiu dos autos, ganhou voz, rosto e temperatura.
Assisti às primeiras horas tomando notas. As câmeras mostraram semblantes crispados, mãos inquietas e vozes por vezes claudicantes. Jornalismo sério não transforma expressão facial em prova, mas seria covardia profissional fingir que a linguagem humana desaparece sob a toga. Ali ninguém é amador. São homens treinados durante décadas para controlar palavra, gesto e emoção. Justamente por isso, chamou atenção aquilo que escapou ao controle.
Kassio Nunes Marques declarou-se impedido. Dias Toffoli, suspeito por foro íntimo. Nos dois, procurei a serenidade de quem simplesmente cumpre uma regra processual. Minha percepção foi outra: tensão, olhares pouco firmes, hesitação. A sombra da culpa rondava aqueles semblantes. Não prova coisa alguma. Registrei o que vi.
Então o plenário incendiou.
Gilmar Mendes acusou André Mendonça de condução político-eleitoral e........
