O que ainda está vivo em nós?
O primeiro dia de 2026 não inaugura um tempo neutro. Ele chega depois de um ano atravessado por guerras prolongadas, crises humanitárias persistentes, deslocamentos forçados em escala recorde e um desgaste visível da confiança pública. O mundo não ficou em pausa — decisões continuaram a ser tomadas, governos seguiram atuando e a tecnologia avançou, ainda que bolsas e mercados financeiros só retomem as atividades a partir do dia seguinte ao feriado. Algo essencial, porém, continuou se perdendo sem alarde. É nesse cenário que a vida e o pensamento de Albert Schweitzer ganham atualidade incômoda.
Nascido em 1875, na Alsácia então sob domínio alemão, Schweitzer construiu cedo uma trajetória rara. Doutor em Teologia, professor universitário e filósofo, tornou-se também um dos mais respeitados intérpretes de Johann Sebastian Bach de sua geração. Ainda jovem, era um concertista consagrado nos grandes palcos europeus — de Berlim a Londres, de Paris a Roma — e recebeu prêmios e honrarias importantes pelo rigor técnico e pela profundidade de suas interpretações. Prestígio........© Revista Fórum
