O caixa invisível que alimenta campanhas digitais para desacreditar investigações
O caso do Banco Master escancarou uma realidade que muitos ainda insistem em tratar como ruído passageiro das redes sociais: a desinformação tornou-se um serviço contratado, com orçamento definido, estratégia, metas e entregáveis. Investigações e reportagens indicam que influenciadores foram mobilizados para atacar o Banco Central e pressionar pela reversão da liquidação do banco, com custos que podem chegar a R$ 2 milhões — cifra incompatível com qualquer mobilização espontânea ou orgânica.
Esse dado inicial, contudo, não surge isolado. Ele se insere em um ambiente mais amplo, observado com nitidez nas últimas 48 horas pela imprensa brasileira. Apesar de linhas editoriais distintas, Valor Econômico, Brasil 247, revista Fórum e Estadão convergiram em um diagnóstico inquietante: houve picos anormais de postagens, ataques personalizados e narrativas repetidas, dirigidas não apenas ao Banco Central, mas ao conjunto de instituições responsáveis pela estabilidade do sistema financeiro.
A própria Febraban confirmou ter identificado, desde o fim de dezembro, um “volume atípico” de menções à entidade e a seus representantes, com indícios claros de ação coordenada. Trata-se de um dado técnico relevante, porque afasta a hipótese de manifestações isoladas e reforça a existência de um padrão organizado de pressão digital.
Essa constatação exige um cuidado conceitual essencial. O problema não é — nem nunca foi — a crítica institucional, saudável e necessária em qualquer democracia. O ponto de inflexão ocorre quando a crítica é convertida em........
