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“Duplipensar” da porta-voz de Trump saiu direto de 1984, distopia de George Orwell

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27.12.2025

Por Laura Beers, no The Conversation
Tradução: Maurício Búrigo

Durante uma coletiva de imprensa em 11 de dezembro de 2025, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou que havia boas notícias sobre a situação da economia.

“A inflação, como foi medida pelo IPC total, desacelerou para uma taxa média de crescimento de 2,5%“, disse ela, se referindo ao índice de preços ao consumidor. “O salário real está crescendo em torno de 1.200 dólares para o trabalhador médio.”

Quando a correspondente política da CNN, Kaitlan Collins, tentou fazer uma pergunta complementar, Leavitt partiu para o ataque. Não a Collins, um alvo frequente da ira da Casa Branca, mas à sua antecessora na Casa Branca durante o governo Joe Biden, a democrata Jen Psaki.

Todos os governos dos EUA mentem. Mas Leavitt tornou-se mestra na arte da linguagem política, empenhada em engrandecer seu patrão, menosprezar seus oponentes e desviar a atenção dos escândalos do governo

Psaki, alegou Leavitt, havia subido ao mesmo púlpito um ano antes e falado “mentiras deslavadas”. Ao contrário, Leavitt insistiu, “tudo que estou falando a vocês é a verdade sustentada por dados reais, factuais, e vocês só não querem noticiar isso porque querem propagar narrativas falsas a respeito do presidente”.

Os “dados reais, factuais” que corroboravam a declaração de Leavitt eram, para dizer o mínimo, capciosos. A taxa de inflação real de setembro foi de 3%, não a cifra de 2,5% escolhida a dedo dos dados econômicos. O aumento nos salários reais? O editor de negócios da CNN, David Goldman, escreveu que,

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