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Caso Venezuela reforça denúncias da China de que EUA operam como “império de hackers”

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06.01.2026

A operação militar lançada pelos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada de sábado (3), quando o presidente do país foi sequestrado junto com a esposa, teve início com um ataque cibernético de grande escala. Segundo os relatos, a ação buscou cegar radares e desorganizar os sistemas de defesa aérea antes da incursão militar propriamente dita.

Não se tratou de uma ação armada convencional isolada, mas de uma estratégia de guerra híbrida, na qual o controle do espaço digital foi decisivo para comprometer comunicações e sistemas de defesa.

Esse tipo de operação não surge do nada. Há anos, a China vem alertando, em documentos e declarações oficiais, para o uso recorrente de ataques cibernéticos por parte dos Estados Unidos, especialmente em ações atribuídas a órgãos como a Agência de Segurança Nacional (NSA, da sigla em inglês).

Desde a década passada, Beijing acusa Washington de empregar o ciberespaço como instrumento de coerção estratégica, espionagem e preparação de ações militares. Em sentido oposto, os Estados Unidos fazem acusações semelhantes contra a China no plano internacional — um contraste que autoridades chinesas costumam classificar como “duplo padrão”.

Essa lógica remete à frase atribuída a Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do regime nazista, segundo a qual se deve “acusar o outro daquilo que se é”.

A descrição dessa tática aparece no relato do jornalista Breno Altman sobre a chamada “Operation Absolute Resolve” (Operação Resolução Absoluta). Durante uma transmissão ao vivo realizada no domingo (4), às 17h (horário de Brasília), no canal da revista Opera Mundi no YouTube, Altman apresentou uma análise detalhada da situação na Venezuela.

O jornalista afirmou ter se baseado em conversas com autoridades do governo venezuelano, incluindo a vice-presidente Delcy Rodríguez, além de fontes ligadas à área de segurança do país. Segundo ele, o ataque militar foi precedido e acompanhado por uma ofensiva cibernética decisiva para o sucesso inicial da operação, ao neutralizar radares e fragilizar o sistema antiaéreo.

Na avaliação de Altman, não se tratou de uma ação armada convencional, mas de uma estratégia integrada de guerra híbrida, que combinou, desde o início, meios digitais e militares. A interferência cibernética teria afetado comunicações governamentais, infraestrutura de dados e a cadeia de comando, criando um cenário de confusão e vulnerabilidade que ampliou o efeito surpresa da operação.

O jornalista........

© Revista Fórum