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Oito de janeiro: lembrar para que nunca mais aconteça

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09.01.2026

Oito de janeiro não é uma data qualquer. Não é um “excesso”, um “descontrole de multidões” nem um episódio isolado da crônica política brasileira. Foi um ataque frontal à democracia, planejado, incentivado e sustentado por uma narrativa golpista construída ao longo de anos. A invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília não surgiram do nada. Foram o desfecho lógico de uma estratégia que buscava desacreditar eleições, instituições e a própria ideia de soberania popular.

Nada disso teria ocorrido sem a pedagogia permanente do ódio, da desinformação e da deslegitimação do processo eleitoral. A tentativa de golpe foi o ponto culminante de uma escalada que começou muito antes das urnas de 2022 e que teve, no ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, seu principal fiador político e simbólico. A retórica do inimigo interno, a exaltação da violência, o desprezo pelas regras constitucionais e o ataque sistemático às instituições formaram o caldo de cultura do oito de janeiro.

As urnas falaram, os golpistas não aceitaram

O Brasil viveu, em outubro de 2022, um dos momentos mais decisivos de sua história recente. As urnas foram claras, auditadas, acompanhadas por observadores nacionais e internacionais. Ainda assim, setores derrotados optaram por negar a realidade. O discurso da fraude — nunca comprovada — tornou-se combustível para acampamentos diante de quartéis, bloqueios de estradas e, por fim, para a tentativa explícita de ruptura institucional.

O que se viu em Brasília foi a negação do princípio mais elementar da democracia: o respeito ao resultado eleitoral. Não se tratava de protesto, mas........

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