Não é apenas uma eleição: é uma escolha sobre o Brasil que queremos
A menos de duas semanas do primeiro turno, o Brasil precisa olhar para além da disputa de imagens, das frases ensaiadas e das oscilações das pesquisas. Em 4 de outubro, estará em jogo muito mais do que a escolha de quem ocupará o Palácio do Planalto. O voto definirá a direção do país, as prioridades do Estado e as condições em que continuaremos a disputar nosso futuro.
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro exige esse olhar. Há diferenças de programa econômico, de compromisso social e de relação com as instituições que a linguagem aparentemente neutra da “alternância de poder” não pode esconder. A alternância é uma virtude democrática quando os concorrentes reconhecem que o poder é temporário, a oposição é legítima e a derrota eleitoral deve ser respeitada.
O problema começa quando um movimento pretende usufruir dessas garantias sem oferecer aos demais a mesma segurança.
A democracia também está na mesa
Para quem enfrenta dificuldades para pagar as contas, falar em instituições pode parecer distante. Mas a democracia tem consequências materiais. É nela que trabalhadores podem se organizar, cobrar salários, denunciar abusos e disputar o orçamento público. É nela que a população pode exigir atendimento, contestar decisões e pressionar governos sem ser tratada como inimiga.
A liberdade política não resolve, sozinha, a desigualdade. Mas seu enfraquecimento reduz a capacidade de enfrentá-la. Quem depende dos serviços públicos, do salário e da proteção social tem muito a perder quando a força substitui a negociação e quando a reivindicação passa a ser tratada como ameaça à ordem.
É por isso que a defesa da democracia precisa caminhar com a defesa de uma vida melhor. Não basta invocar a Constituição sem discutir o preço dos alimentos, o endividamento das famílias, a qualidade do emprego e o tempo de espera por uma consulta médica. Uma democracia que não responde às necessidades da população abre espaço para aqueles que exploram a frustração e oferecem soluções autoritárias para problemas que não pretendem resolver.
O projeto associado a Lula se distingue por reconhecer a responsabilidade do Estado em uma sociedade profundamente desigual. Combater a fome, sustentar a renda, ampliar oportunidades e investir em serviços públicos não são concessões ocasionais aos mais pobres. São obrigações de um país que pretende se desenvolver.
Essa orientação precisa ser defendida e aprofundada. O Brasil não superará suas desigualdades se tratar o investimento social como desperdício e a proteção dos privilégios como exigência técnica.
Cobrar Lula sem apagar a diferença
Defender a reeleição de Lula não exige imaginar um governo sem erros.........
