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Groenlândia: a fronteira que revela o colapso da ordem internacional

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10.01.2026

A insistência do presidente Donald Trump em controlar a Groenlândia deixou de ser excentricidade retórica para se converter em sinal inequívoco de uma mudança de época. O que está em jogo já não é apenas a relação bilateral entre Estados Unidos e Dinamarca, tampouco um desentendimento diplomático dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN.) Trata-se de algo mais profundo e perturbador: o retorno explícito da lógica de anexação territorial como instrumento legítimo da política internacional

A OTAN é hoje composta por 32 países da Europa e da América do Norte — incluindo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Portugal, Polônia, os países bálticos, a maioria dos países da Europa Central e Oriental, além de membros mais recentes como Finlândia e Suécia. Criada em 1949, em pleno contexto da Guerra Fria, a OTAN tem como objetivo formal garantir a defesa coletiva de seus membros, consagrada no Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, segundo o qual um ataque contra um país aliado é considerado um ataque contra todos. Ao longo das décadas, porém, a aliança deixou de ser apenas um pacto defensivo regional e passou a atuar como instrumento central da projeção militar e estratégica dos Estados Unidos, expandindo-se para o Leste europeu, intervindo fora de sua área original e assumindo funções que extrapolam a defesa territorial, como gestão de crises, dissuasão estratégica e contenção de potências rivais. É justamente essa contradição — entre o discurso de defesa coletiva e a prática assimétrica de poder — que torna a crise atual em torno da Groenlândia tão explosiva para o futuro da própria aliança.

Ao reafirmar que “precisa da Groenlândia por razões de segurança nacional” — mesmo diante da rejeição clara do governo local e do repúdio de líderes europeus — Trump rompe com um dos poucos consensos remanescentes do pós-Segunda........

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