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A irresponsabilidade de Tarcísio: quando a crise venezuelana vira palanque eleitoral no Brasil

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07.01.2026

A crise política e institucional vivida pela Venezuela é grave, complexa e trágica. Envolve denúncias consistentes de autoritarismo, repressão, esvaziamento de instâncias democráticas, deterioração econômica profunda e sofrimento social prolongado. Justamente por isso, exige seriedade analítica, responsabilidade política e compromisso com os fatos. Tudo o que faltou à recente declaração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Ao afirmar que Nicolás Maduro permanece no poder “porque houve conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de ‘companheiro’”, Tarcísio não apenas simplifica de forma grosseira uma crise internacional complexa, como promove uma associação deliberadamente enganosa entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o atual governo venezuelano.

O vídeo divulgado pelo governador, ao exibir imagens de Lula ao lado de Nicolás Maduro durante a visita oficial de 2023, não deixa dúvidas: trata-se de uma mensagem política cuidadosamente construída, cujo objetivo não é esclarecer, mas culpabilizar.

Diplomacia não é endosso — e governar exige mais do que slogans

A aproximação diplomática do Brasil com a Venezuela, retomada em 2023, ocorreu dentro de parâmetros clássicos da política externa brasileira: reconstrução de canais institucionais, mediação regional, busca de estabilidade e incentivo a soluções negociadas. Em nenhum momento o governo brasileiro endossou práticas autoritárias, tampouco legitimou violações de direitos humanos.

Confundir diplomacia com cumplicidade é má-fé política — ou ignorância funcional. Relações entre Estados não se dão por afinidades pessoais, mas por interesses estratégicos, responsabilidade regional e compromisso com a paz. O Brasil não “mantém Maduro no poder”. Quem sustenta ou fragiliza governos são dinâmicas internas, forças sociais, instituições, sanções........

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