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A teoria do dominó voltou e vai chegar à peça mais preciosa

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07.01.2026

A prisão de Nicolás Maduro, após a intervenção direta dos Estados Unidos na Venezuela, reabre um fantasma que parecia enterrado desde a Guerra Fria: a teoria do dominó. A pergunta que ecoa em toda a América Latina é simples e devastadora — qual país será o próximo? O Brasil está na fila ou será empurrado apenas depois das eleições presidenciais de 2026?

Quando o dominó volta a cair

Durante décadas, a chamada teoria do dominó serviu como justificativa ideológica para intervenções militares dos Estados Unidos no Sul Global. O argumento era sempre o mesmo: a queda de um país fora da órbita de Washington provocaria uma reação em cadeia, ameaçando toda a região. Foi assim desde o Vietnã. Foi assim na América Latina: Chile, Nicarágua, Guatemala, República Dominicana — o roteiro se repetiu com pequenas variações, mas com o mesmo objetivo estratégico. Controle político, econômico e militar.

A invasão da Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro, ocorridas sem resistência significativa, reativam esse imaginário geopolítico em pleno século XXI. Não se trata de um episódio isolado, mas de um marco simbólico: o momento em que Washington sinaliza que voltou a agir sem disfarces, sem mediações multilaterais e sem o constrangimento retórico da “defesa da democracia”.

A mensagem enviada ao continente é clara: quem sair da linha será removido.

O continente sob tutela

A teoria do dominó não é uma abstração acadêmica. Ela foi aplicada na prática, com brutalidade, ao longo das décadas de 1960 e 1970, quando os Estados Unidos impuseram ou sustentaram ditaduras militares em praticamente toda a América Latina, sob o pretexto de conter o “perigo comunista”.

No Brasil, o golpe de 1964 inaugurou uma ditadura de 21 anos, articulada com apoio direto de Washington, inclusive com planos militares prontos para intervir caso houvesse resistência.

No Chile, em........

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