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Venezuela e a disputa entre EUA e China: o papel crescente de Beijing na América Latina

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05.01.2026

O ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, realizado na madrugada deste sábado (3), ocorre em meio a uma escalada das tensões geopolíticas na América Latina e no Caribe.

O episódio expõe de forma direta o choque entre projetos estratégicos em disputa na região, com a China assumindo um papel cada vez mais central ao lado dos Estados Unidos, em um contexto de transição da ordem internacional.

Para analisar esse cenário, a CGTN em Português conversou, com exclusividade, com dois analistas especializados em geopolítica latino-americana.

Hugo Albuquerque é jurista e analista político, editor e publisher da Jacobin Brasil e fundador da Editora Autonomia Literária, com atuação voltada à análise crítica da política internacional, do imperialismo e das disputas de poder entre grandes potências.

Amauri Chamorro é estrategista e consultor em comunicação política, com experiência junto a partidos, movimentos e governos na América Latina e no Caribe. Atua como analista internacional, com foco em integração regional, relações entre potências globais e dinâmicas geopolíticas a partir de uma perspectiva latino-americana.

Ruptura de regras e reação ao mundo multipolar

Para Hugo Albuquerque, a escalada envolvendo a Venezuela representa uma ruptura profunda nas regras que tradicionalmente organizam as relações internacionais. Segundo ele, “o sequestro de um chefe de Estado no exercício de suas funções é algo marcante, porque rompe com uma perspectiva civilizada e regrada das relações internacionais”.

Na avaliação do jurista, o episódio explicita uma mudança qualitativa na postura dos Estados Unidos. “É a aceitação, pela principal potência militar do planeta, de que as regras não importam”, afirma.

Albuquerque observa que, ao longo do século XX, Washington recorreu a normas e instituições para conferir aparência de legalidade a ações ilegais, mas que, no cenário atual, “não há nem essa preocupação com esse verniz”.

Ele ressalta que a crise ocorre em um momento sensível para a ordem internacional. “A multipolaridade já está em risco, porque ela emerge justamente em contraposição ao mundo unipolar, que ainda tenta se manter”, diz, apontando a China........

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