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Obsessões fatais e tempo perdido

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15.10.2026

"Houve tempos em que a minha mãe e eu tínhamos troçado da senhora Sazerat, que dizia, falando dos criados: 'Essa raça, essa espécie.'" Marcel Proust (65:2003), em O lado de Guermantes, o volume três de Em Busca do Tempo Perdido

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Há mais de uma década que os indicadores educativos reflectem a queda da escola pública. Para além da redução do orçamento da Educação, o país ocupa os lugares cimeiros na infernal burocracia escolar, na indisciplina nas salas de aula e na adicção tecnológica de crianças e jovens. Mas, recentemente, os alarmes soaram porque se combinou a tendência de declínio das aprendizagens com a indesmentível falta estrutural de professores e com o ressurgimento das turmas numerosas.

E repita-se o essencial: Portugal entrou neste milénio com notáveis progressos na escolarização que se confirmaram 20 anos depois. Mas daqui a umas décadas os historiadores olharão para esse período e interrogar-se-ão: como foi possível o país desistir da democratização do ensino quando tinha acabado de o generalizar com qualidade?

Haverá inúmeras explicações para o que se começou a fazer na década de 2000. Todavia, escolho, como fio condutor que deitou tudo a perder, a fatal obsessão ideológica com o Estado mínimo e com a privatização do orçamento da Educação. Tomando como exemplo os concursos nacionais de........

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