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O que estamos a ensinar quando separámos os pobres à mesa?

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17.03.2026

Há momentos em que a escola deixa de ser apenas um lugar onde se aprende matemática, história ou línguas e torna-se um espelho da sociedade. Às vezes, infelizmente, um espelho demasiado fiel.

As notícias recentemente publicadas sobre a organização das refeições numa cantina escolar de uma ordem religiosa, distinguindo, na prática, a comida destinada a alunos economicamente mais favorecidos da comida servida a alunos beneficiários de apoio social, não são apenas um episódio administrativo ou uma polémica pontual, mas sim um problema educativo, moral e político. Porque aquilo que está em causa não é apenas comida e sim aquilo que a escola ensina sem o dizer.

A escola deveria ser um dos poucos espaços onde, independentemente das diferenças que existem fora dela, os alunos são tratados segundo princípios comuns de dignidade e pertença. Mesmo quando as origens sociais não são iguais – e sabemos que muitas escolas, públicas ou privadas, refletem as desigualdades da sociedade –, continua a existir uma expectativa básica: dentro da escola, ninguém deve ser exposto ou distinguido pela sua condição económica.

A sociologia da educação mostrou-nos há muito que a escola não é apenas um espaço de mobilidade social, pois é também um lugar onde as desigualdades sociais podem ser reproduzidas de forma subtil. Pierre Bourdieu descreveu esse processo como uma espécie de “tradução escolar” das diferenças sociais, em que aquilo que nasce fora da escola reaparece dentro dela sob outras formas aparentemente naturais… Mas há momentos em que essa subtileza........

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