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As vítimas que não respeitam o timing: assédio sexual e a prescrição de silêncio

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Nos últimos dias, assistimos à disseminação da imagem de uma publicação no Instagram, partilhada num núcleo privado e disseminada de forma ilícita. Nessa imagem, rapidamente tornada viral, uma mulher jovem e jurista de profissão elencava episódios e afirmações de teor sexual que imputava a João Cotrim de Figueiredo, que conheceu num contexto laboral. O relato, em tom de desabafo, ilustrava um padrão de assédio sexual, facilmente identificável e reconhecível para quem o tema seja familiar. Cotrim de Figueiredo reagiu, negando categoricamente o teor das afirmações e assegurando que agirá judicialmente contra a autora.

Surgiram, em catadupa, reacções de indignação: o tribunal da opinião pública – tantas vezes escudado na presunção de inocência para, perversa e paradoxalmente, garantir que as mulheres mentem – foi implacável. O timing desta divulgação, diz-se, é suspeito, estratégico, é uma prova de ataque político, que visaria derrubar Cotrim na última semana de campanha das presidenciais.

Nada disto é novo: recuemos a 1991. Anita Hill, advogada e professora universitária (que num primeiro momento se recusara a falar),

© PÚBLICO