O impacto da ciência nacional
No âmbito das discussões sobre a reorganização do financiamento da ciência e inovação nacionais, é importante haver um foco no que queremos para o futuro, o que passa também por uma abordagem crítica e sem tabus ao que temos. Uma das coisas mais óbvias é que a ciência portuguesa cresceu exponencialmente desde finais do século passado, em quantidade e qualidade. Em certas áreas, os resultados são mesmo excelentes a nível mundial. A questão é opor nichos de excelência a um panorama global. Se muitos cientistas portugueses mais visíveis não veem utilidade em indicadores nacionais, porque não se reveem neles, esses indicadores deviam interessar à tutela.
É que, se dados que mostram os progressos incríveis na ciência nacional nas últimas décadas são fáceis de obter, também não é complicado obter outros indicadores. Claro que números são apenas números, e têm sempre interpretações distintas. Mas é bom conhecê-los.
Um deles tem que ver com as citações a artigos produzidos em Portugal, uma medida indireta do impacto que esses artigos têm na comunidade global. E há uma diminuição global clara nesse indicador nos últimos anos, transversal a todas as instituições. Mas claro que é preciso normalizar estes números. E, quando se considera uma normalização pela média de citações por área e tipo de publicação, obtém-se uma linha estável. Essa linha é, no entanto, à volta de 1, a média mundial. O copo meio vazio dirá que o impacto da........
