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A guerra é fóssil

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07.01.2026

Durante grande parte do último século, a ordem internacional organizou-se em torno de dois pilares raramente questionados: o petróleo como base energética dominante; e o dólar como eixo do sistema financeiro global. Esta combinação moldou não apenas a economia mundial, mas também as relações de poder. O controlo da energia e da moeda tornou-se um instrumento para impor regras, aplicar sanções e garantir aquilo a que frequentemente se chamou “estabilidade”: um sistema funcional, mas marcado por tensões e por uma propensão estrutural para a coerção.

O petróleo nunca foi apenas uma fonte de energia. Pela sua concentração geográfica, pela vulnerabilidade das rotas de abastecimento e pela dependência global que criou, assumiu desde cedo um papel estratégico e foi tratado como questão de segurança. Quando um recurso essencial está concentrado em poucos territórios e é indispensável para todos, o conflito deixa de ser exceção e passa a risco permanente do próprio sistema.

A experiência da Venezuela ilustra bem esta dinâmica. Detendo algumas das maiores

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