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A corrida olímpica pelo burnout no ensino superior

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Tentar marcar um café com um grupo de amigos assemelha-se mais a uma operação logística complexa do que a um momento de lazer. Há quem tenha aulas até tarde, quem esteja num turno de voluntariado, num treino e até quem não possa faltar à décima reunião da semana. Quando finalmente conciliamos uma milagrosa janela para daqui a semanas, o entusiasmo dá lugar ao alívio de termos conseguido encaixar as peças do Tetris das nossas vidas. Sem darmos por isso, normalizamos a ideia de que a disponibilidade é um luxo e acreditamos que uma agenda sem espaços em branco é sinónimo de uma vida bem vivida.

Disseram-nos que estes seriam os melhores anos das nossas vidas. Prometeram-nos liberdade, descoberta e noites memoráveis. E, em parte, é verdade. Mas houve uma nota de rodapé que ninguém leu em voz alta: a liberdade vinha com um custo cada vez mais alto. A boémia foi substituída pela necessidade urgente de responder “Tenho andado a mil” ou “Vim agora de outra reunião”. Este distintivo de honra, comum no ensino superior, criou uma mística perigosa: descansar passou a ser visto como fraqueza e o calendário cheio como indicador de sucesso.........

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