O homem que se foi embora de Belém
O homem que se foi embora de Belém deixa atrás de si um rasto do combustível que o alimentou – a vacuidade e a dissimulação.
Entrou em Belém depois de sair uma figura autopromovida a professor-de-rigor que estava acima da política, mas fazendo da política o seu modo de vida a partir dos anos 80 do século passado.
O homem que vivia sorrateiro e delirantemente devoto da teoria da intocabilidade do mercado, designadamente devido às suas irritações, tornou-se numa figura que estava a mais, mesmo para os seus próximos.
O que agora abandonou o palacete, e lá chegou por via de umas quantas conversas de treta num país com uma taxa de basbaquismo elevadíssima, tornou-se numa espécie de monarca sem reino, mas com muita ginjinha e sandes de qualquer-coisa-que-por-aí-haja.
Viveu dos media e para os media, encontrando nesse percurso quem lê títulos, jornais com muitos cadernos, e vê televisão, porque, se a desligar, tem de ir ao psiquiatra para poder dormir por não aguentar tanta solidão.
Conseguiu fazer, no país dos basbaques, de um mergulho, combinado com jornalistas, um........
