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David Lopes Ramos, a sementeira de amor e de amizade de um resistente

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24.04.2026

Conheci o David nos bancos da Faculdade de Direito de Coimbra em 1967. Reinava, então, no país, a lei do silêncio plúmbeo. Tudo era proibido na Universidade, menos a praxe e as bebedeiras. A grande lei — não se meter em política, não discutir religião e não namorar para garantir o sonho de vir a ser doutor e assegurar o futuro.

Nas ruelas da Baixa e nas escadarias que conduziam à Sé havia uns quartos esconsos onde se trocavam dez escudos por certas descargas. Numa reunião de curso alguém se lembrou de propor, contra o uso obrigatório de gravata nas aulas práticas, que levássemos camisola de gola alta e gravata por cima. Arranjei uma gravata para o David.

Discutíamos, então, tudo, todos os ismos e despachávamos qualquer tema com o materialismo histórico e o dialéctico. Era o tempo contra o tempo e ao mesmo tempo a favor do próprio tempo. Um tempo de espera confiante. No interior do tempo o casulo já havia gerado a futura borboleta da liberdade. Por aí andávamos orgulhosos da nossa república Ninho dos Matulões, onde dormíamos com todos os sonhos ao rés da vigília, incluindo com impressoras e estênceis.

A crise de........

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