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A culpa

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Quando a vizinha me veio bater à porta, bater, sim, porque não se atreveu a tocar à campainha sabendo-me provavelmente adormecida, afinal o sol ainda nem nascera, percebi logo quem era. É uma vizinha muito velha e abelhuda que acorda antes do sol, dá ideia de que nem dorme porque, seja a que horas for, vejo-a sempre emproada à janela. Demorei a perceber que alguém a bater à porta não fazia parte do sonho que estava a ter, com um cavalo a bater repetidamente com a ferradura na calçada portuguesa. Era alguém a bater-me à porta de casa.

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Liguei o candeeiro da mesa de cabeceira. Ainda era de noite, embora o céu já apresentasse pequenos vestígios de azul-claro. Calcei os chinelos e dirigi-me com dificuldade até à porta. Espreitei pelo óculo e vi a carantonha da velha do outro........

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