Estamos mesmo apaixonados pelos cupins?
Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.
Leia os artigos que quiser, até ao fim.
Com uma assinatura PÚBLICO tem acesso ilimitado a todos os conteúdos e cancela quando quiser.
Depois de domingo, dia 4 de outubro, um silêncio se abateu sobre muitos de nós. Não foi o silêncio de quem perdeu uma guerra. Nunca acreditei que os brasileiros estivessem em guerra. Continuo não acreditando.
Confesso, porém, que os meus algoritmos não me mostravam um Bolsonaro com 47% dos votos. Uma amiga, dias antes da eleição, perguntou como eu podia estar tão confiante de que a extrema-direita não venceria. Respondi que já havíamos passado por 2018, por quatro anos de violência política, pelo desprezo às instituições e por uma pandemia que deixou centenas de milhares de mortos. Não era possível que repetíssemos o caminho.
Ela me lembrou da ditadura militar: “Se fomos capazes de repetir, em 2018, os impulsos autoritários de um passado tão recente, por que não seríamos capazes de fazê-lo novamente?” Continuo sem saber.
Em 1988, recuperamos uma Constituição democrática. Parece pouco para quem nasceu depois dela, mas não é. Uma Constituição é a maior conquista política de um povo que decide não ficar à mercê da vontade de quem governa. Imagine, por exemplo, ser acusado de alguma coisa e descobrir que aquele que o acusa também faz as leis, modifica as regras e decide a sua condenação. Imagine não ter a quem recorrer.
É para impedir essa concentração de poder que existem as Constituições........
