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Sejamos CR7: emigremos

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29.12.2025

No vídeo de Natal deste ano, o primeiro-ministro decidiu despir o fato de governante e vestir o fato de treino de guru de auto-ajuda. Entre os tradicionais votos de boas festas, o chefe do Governo exortou os portugueses a adoptarem a "mentalidade de Cristiano Ronaldo": a ambição de querer ser sempre o melhor, a recusa em aceitar a fatalidade e uma disciplina exímia perante a adversidade.

A metáfora é sedutora e politicamente eficaz. Afinal, o CR7 é o nosso símbolo nacional de sucesso. Quem é que não quer ser o Ronaldo da sua área? Contudo, governar um país não é gerir uma carreira desportiva, e transpor a excepcionalidade de um atleta de elite para a gestão macroeconómica de um Estado revela não apenas uma simplificação populista, mas uma perigosa cegueira sobre a realidade produtiva nacional.

Do ponto de vista estritamente económico, este apelo tem um erro fundamental: Cristiano Ronaldo é um exemplo de esforço, indiscutivelmente, mas o sucesso do craque português........

© PÚBLICO