A cultura da repetição no ensino superior
“Espero que repita.” “Esta cadeira não precisas de estudar, repete sempre.” “Fogo, não repetiu nada”.
Estamos em plena época de exames nas universidades e politécnicos portugueses e o verbo repetir torna-se o verdadeiro eixo da vida académica. Não se discute conhecimento, não se debate compreensão, não se valoriza o pensamento crítico. Discute-se a repetição. Repete a pergunta? Repete o exame? Repete-se o ritual. O desejo coletivo é simples: que o exame seja uma fotocópia, o menos mal disfarçada possível, do exame do ano anterior. Que nada mude. Que o professor não “invente”. Que, de preferência, nem seja preciso abrir um livro. É o conforto da previsibilidade elevado a método pedagógico. O esforço intelectual substituído por uma memorização oportunista.
Avaliar um aluno através da repetição sistemática de perguntas não é apenas pobre, como é intelectualmente estéril. É uma manobra perigosa de extinção do pensamento crítico. É um deturpar da mais básica função de uma escola: transmitir conhecimento. Com cada exame que se repete........
