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Obreiros do sistema internacional

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“Porque é que não fazemos um decente e definitivo acordo com o seguinte: divide-se a Europa em esferas de influência, ficamos fora da esfera da Rússia e mantemos os russos fora da nossa?”

A pergunta foi feita por George F. Kennan, vice-chefe da missão americana em Moscovo logo a seguir à II Guerra Mundial, numa missiva enviada a 4 de fevereiro de 1945 a Charles Bohlen, diplomata e principal conselheiro do Presidente Franklin Roosevelt.

Bohlen terá ficado incomodado com a sugestão do seu colega e amigo: “A política externa desse tipo não pode ser feita por uma democracia.” E acrescentou mais tarde: “O povo americano, que lutou uma longa e dura guerra, merece, pelo menos, que se tente trabalhar para um mundo melhor.”

Era o primeiro dia da Cimeira de Ialta, onde Roosevelt se reunia com o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, e o líder soviético, Estaline, e se lançavam as fundações da ordem internacional que iria vigorar até 1991 – com repercussões até aos dias de hoje.

Kennan e Bohlen eram os diplomatas mais conhecedores da União Soviética e poucas ilusões tinham quanto às perversidades e males do regime de Estaline. No entanto, tinham diferentes visões quanto ao modelo a adotar no sistema de pós-guerra que se erigia.

Kennan era um realista clássico, mas não acreditava na ideia de um conflito direto entre as duas superpotências. O seu pensamento ajudou a forjar o sistema bipolar da Guerra Fria que, em parte, viria assentar na “contenção” e na “dissuasão”, privilegiando-se, assim, a estabilidade sistémica através da manutenção de um statu quo de equilíbrio de........

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