A instabilidade e os custos invisíveis
Num tempo em que a guerra na Ucrânia deixou de ser manchete e passou a ser rotina, há um risco grave: a normalização do anormal. Não nos podemos iludir — a paz na Europa é cada vez mais frágil. A possibilidade de uma escalada militar não é ficção. E Portugal, embora afastado geograficamente, não está imune.
Os sinais estão por todo o lado. No leste europeu, o conflito persiste com um eco cada vez mais surdo, mas não menos ameaçador. No Mar Negro, os corredores de exportação tremem. No Báltico, as fronteiras reforçam-se. Do outro lado do Atlântico, Donald Trump volta a soprar ventos de fragmentação global — tarifas, isolacionismo, a ameaça de uma nova guerra comercial entre gigantes. E em Bruxelas, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propõe uma estratégia industrial de defesa em modo “economia de guerra”, sinalizando que a Europa já deixou de viver em tempos normais.
A ordem internacional que sustentou a economia europeia nas últimas décadas está sob teste. E com ela, testam-se também os alicerces de países que, como Portugal, vivem da sua capacidade de atrair investimento, garantir estabilidade e manter em funcionamento a base produtiva.
É nesse contexto que devemos olhar com atenção para três setores-chave: a habitação, a alimentação e a energia. São eles que definem como habitamos o........
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