Liberdade
Há momentos em que já não é possível esconder-se atrás da diplomacia, dos “apelos à contenção” ou das fórmulas vazias do direito internacional. O que está a acontecer no Irão é um desses momentos. E cada dia de hesitação internacional tem um custo medido em corpos.
Desde 28 de Dezembro, que protestos em larga escala eclodiram por todo o Irão. Não se tratam de distúrbios isolados nem de reivindicações sectoriais ou sobre o “custo de vida”: são manifestações transversais, de várias camadas populacionais, persistentes, unidos por uma exigência simples e antiga: direitos fundamentais, dignidade e responsabilidade política. A resposta do regime islâmico foi imediata e inequívoca: violência extrema e ilegal.
Segundo os dados mais recentes, mais de 3.000 manifestantes foram mortos, mais de 10.000 ficaram feridos, e milhares foram detidos arbitrariamente ou forçados a desaparecer. Os corpos acumulam-se em morgues improvisadas.
As forças de segurança do regime dispararam munições reais contra civis desarmados, realizaram detenções em massa e submeteram os detidos a tortura e maus-tratos. O padrão é claro: negar qualquer vestígio de legalidade.
Detidos sem acesso a advogados, sem contacto com familiares, sem cuidados médicos. Jornalistas, estudantes, mulheres, defensores de direitos humanos,........
