2026: Putin quer tudo, a guerra continuará
“In his more than 25 years in power, Putin has instilled in theRussian collective the idea of Russia as a “besieged fortress”—pundits on television have pushed this message for years. People in villages and smalltowns, living paycheck to paycheck, can draw inspiration from belonging to the great nation that stands up to Western pressure. Wielding the Great Patriotic War slogan “Victory will be ours,” Putin justifies to this public the losses and cruelties they suffer along the way.” – Nina Khrushcheva. (2025, December 30). Russia’s DescentIntoTyranny. ForeignAffairs.
Autores de orientação realista, como John Mearsheimer ou Stephen M. Walt, entre outros, têm recorrentemente argumentado que a Rússia iniciou a ofensiva contra a Ucrânia em resposta a uma perceção de ameaça à sua segurança, nomeadamente devido à expansão da NATO e à crescente influência ocidental na região. Contudo, uma análise dos eventos mostra que esta explicação é insuficiente para sustentar a narrativa realista. A Rússia já demonstrava interesses estratégicos e ambições de projeção de poder antes de qualquer avanço significativo da NATO ou da União Europeia, e o início do conflito não foi precedido por ações militares ou políticas ocidentais que configurassem uma ameaça existencial direta. Assim, a agressão deve ser compreendida sobretudo como resultado de objetivos de hegemonia regional e afirmação internacional, e não como uma reação defensiva inevitável a pressões externas.
O fim da União Soviética constituiu um momento de rutura profunda na história política e identitária da Rússia, colocando em causa não apenas as suas estruturas de poder, mas também a sua autoimagem enquanto ator central no sistema internacional. A Federação Russa emergiu desse processo confrontada com a necessidade de redefinir a sua identidade nacional num contexto marcado pela perda de estatuto, pela incerteza estratégica e pela........
