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O regresso do “sagrado” ao seio do poder

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02.01.2026

Apontado por Oriane Cohen, trata-se de um dos padrões mais importantes, despercebidos e incompreendidos do novo século, o “sagrado” está de regresso às estruturas de poder sob a forma de passageiro clandestino e disfarçado que molda e influencia, à sua maneira, a arquitectura interna e os processos de tomada de decisão nos centros de influência.

Regresso este que não se prende necessariamente com religião ou fé, mas sim com algo mais profundo. Uma sede de significado, uma fome que anseia por transcendência, mas sobretudo, uma profunda necessidade de pertença, estrutura e verticalidade perante algo maior que nós mesmos.

Os movimentos tectónicos bruscos dos paradigmas sociais nas últimas três décadas aliados ao caos geopolítico deram lugar a um espaço onde o “sagrado” se alimenta e espalha como fogo num palheiro; o vácuo. No vácuo tudo é imprevisível e instável, o que hoje é, amanhã deixa de o ser, o que ontem era verdade, hoje é mentira, o que hoje é a norma, amanhã é proibido, qual distopia da modernidade líquida inspirada nas teorias de Zygmunt Bauman. O vácuo é a tirania da imprevisibilidade, algo que o ser humano – um animal de hábitos – vê como um lugar onde a sua vida corre perigo constante, onde não existem abrigos ou zonas de sombra para se proteger do caos que o envolve.

O “sagrado” oferece esperança no meio do tenebroso vácuo; oferece códigos, rituais, comunidades, caminhos, pertença, memória colectiva, mas sobretudo, farois que guiam os seres perdidos no vácuo, sedentos de sentido. Este, ao contrário das ideologias, não necessita de persuadir, pura e simplesmente, guia.

Nunca tendo........

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