A Europa quer abrir mercados, mas recusa mudar
Durante décadas, a Europa habituou-se a olhar para si como um dos vértices naturais da economia mundial: mercado vasto, moeda sólida, Estado de direito consolidado, instituições densas, um “modelo social” admirado. Porém, o mundo mudou mais depressa do que a Europa, e cada novo acordo comercial, como os recentemente firmados ou negociados com a Índia, o Mercosul ou a Austrália, expõe uma tensão fundamental: queremos continuar a definir regras para o comércio global, mas hesitamos em fazer as reformas internas necessárias para competir nesse mesmo comércio.
Os acordos com parceiros estratégicos como a Índia ilustram bem este dilema. Em teoria, abrem portas a um dos mercados mais dinâmicos do planeta: uma classe média em ascensão, demografia jovem e um ecossistema tecnológico em ebulição. Para as empresas europeias, isto significa acesso a novos consumidores, cadeias de valor mais diversificadas e oportunidades de investimento. Num contexto de rivalidade crescente entre Estados Unidos e China, uma relação económica mais estreita com a Índia é também um gesto geopolítico: reduzir dependências, multiplicar alternativas, evitar o destino de mero espaço intermédio entre dois gigantes.
Mas este não é um caso isolado. O acordo........
