Porque é que os melhores não vão para a política
A política foi, em tempos, uma vocação nobre. Ser político era sinónimo de serviço público, de entrega à causa comum, de sacrifício pessoal em nome do bem colectivo. A praça pública tinha figuras respeitadas, homens e mulheres de mérito, cuja reputação, experiência e autoridade moral impunha naturalmente respeito. Hoje, o cenário é bem diferente. Muitos perguntam, com razão: onde estão os melhores? Porque é que os mais competentes, os mais preparados, os mais íntegros, escolhem ficar à margem da vida política?
A resposta não é simples, mas algumas razões destacam-se de forma clara: remunerações pouco atrativas, exposição pública tóxica, desgaste pessoal e familiar, e a inevitável pausa ou desvio na carreira profissional. Importa sublinhar que estas razões não actuam isoladamente é a sua conjugação que torna o caminho político tão pouco apelativo para quem poderia verdadeiramente elevar o nível da governação.
Para tornar esta reflexão mais concreta e sustentada, vejamos alguns números. Em Portugal, o salário líquido mensal de um presidente de câmara municipal ronda, em média, os 2.500 a 3.000 euros, dependendo da dimensão do município. Este valor já contempla os descontos legais e pode variar ligeiramente consoante outros fatores como a participação em órgãos externos ou ajudas de custo. Por contraste, um manager numa grande empresa, com funções de direção e........
