Tudo o que sempre quis saber sobre o sexo
Ocorreu este mês no Brasil a eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Por 11 votos a favor e 10 em branco, foi eleita Erika Hilton, que é transexual, um homem biológico.
Erika, que é de um partido de extrema-esquerda (PSOL), escolheu como nome artístico o apelido da socialite americana Paris Hilton, famosa por ser uma sonsinha consumista , bisneta do fundador de uma das maiores redes de hotéis do mundo e ter abrilhantado um sex-home-video em Paris.
No canal SBT, o apresentador de TV Carlos Roberto Massa, mais conhecido como Ratinho (sim, os brasileiros têm um gosto peculiar para nomes artísticos, como o presidente e a primeira-dama: Lula e Janja) questionou: “Com tanta mulher biológica por aí…” Ratinho é – juro – o pai de Ratinho Júnior, atual governador do Paraná e que só há dois dias desistiu de concorrer à Presidência da República em outubro, em cujas pesquisas ocupava o terceiro lugar. Incitado pela deputada, o Ministério Público Federal (MPF) acusou o apresentador de “discurso de ódio”, exigiu uma indenização de 1,7 milhão de euros, e que ele e o SBT publiquem uma retratação no site da emissora durante um ano.
Na Assembleia Legislativa de São Paulo, a deputada Fabiana Bolsonaro (sem parentesco com Jair) protestou contra a eleição de Erika com a cara pintada de preto. “Sempre tive os privilégios de uma branca. Aos 32 anos, maquilei-me de negra. Tornei-me negra?” O MPF acolheu duas denúncias contra Fabiana, pelo crime de blackface. Uma pesquisa (Big Data) indicou que a esmagadora maioria dos brasileiros (84%) não quer Erika a presidir a Defesa dos Direitos das Mulheres.
Essa rebaldaria espelha a atual trapalhada entre sexo e género. Nas espécies que se reproduzem sexualmente, há só dois sexos, com dois tipos de gametas ou células sexuais: um maior (nos humanos, óvulos que determinam o sexo feminino), outro mais pequeno (nos humanos, espermatozoides que determinam o sexo masculino). É um padrão binário fixo, de evidente complementaridade. Os cromossomos que ditam o sexo humano são XX para o feminino e XY para o masculino. As mulheres herdam um cromossomo X de cada progenitor, enquanto os homens herdam um X da mãe e um Y do pai.
Mas hoje, com o voluntarismo impressionista e a impopularidade da ideia de limites, parece ultrajante aceitar que há coisas que não resultam da nossa escolha emocional. Porém, a realidade encolhe os ombros: a identidade sexual não é self service nem pensamento mágico. Como diz um instrutivo truísmo brasileiro: “Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa”. Todos podemos ter as nossas próprias opiniões, mas não os nossos próprios fatos.
No século XXI o “género” foi “ressignificado” por ativistas. Eis a definição da Wikipédia: “A gama de características pertencentes a, e diferenciando entre, feminilidade e masculinidade. Elas podem incluir sexo biológico, estruturas sociais baseadas no sexo ou identidade de género.” Até a Organização Mundial da Saúde entra na dança: “Género descreve as características de mulheres e homens que são socialmente construídas, enquanto sexo refere às biologicamente determinadas.”
Baluartes da semântica sucumbem à newspeak orwelliana. Em 2023, o Cambridge Dictionary atualizou a sua definição de «mulher» para incluir… homens.........
