A lição de Héracles
Haverá melhor maneira de iniciar um novo ano do que regressar aos antigos? Comecemos com Alcides, mais conhecido por Héracles ou Hércules, conforme considerarmos as histórias gregas ou romanas. A ele se referiram todos os grandes autores da Antiguidade: Homero e Hesíodo, naturalmente, bem como Sófocles e Eurípedes; Virgílio e Ovídio, claro, mas também Tito Lívio e Séneca.
Héracles ocupa um lugar fundamental na mitologia grega: o seu nascimento permitirá a Zeus manter o poder com a derrota dos gigantes, filhos de Gaia, no conflito conhecido como Gigantomaquia. Mas a nossa memória de Héracles está sobretudo ligada às doze tarefas ou trabalhos a que se dedicou, revelando força, coragem e violência na captura e morte de muitos monstros que se mantinham no mundo dos homens como resíduos históricos dos tempos antigos. Foram estas tarefas que a Disney imortalizou numa animação de 1997 (nos bons tempos da Disney) e que trouxeram Héracles à Península Ibérica, como é recordado pela Torre de Hércules na Corunha e as suas colunas em Gibraltar.
É assim que mata o leão de Nemeia e a Hidra de Lerna, captura o javali de Erimanto e a corça de Cerineia, mata as aves do lago Estínfalo e limpa os estábulos de Augias, captura o touro de Creta (regressaremos a ele em breve) e as éguas de Diomedes, consegue o cinto da amazonas Hipólita, captura Cérbero e o gado de Gérion e consegue as maçãs de ouro do Jardim das Hespérides, enquanto liberta Prometeu. O problema é que, entre tantas aventuras, acabamos por nos esquecer qual é o motivo que obriga Héracles a realizar tarefas tão difíceis.
Como muitos mitos gregos, a história de Héracles começa com mais uma investida sexual de Zeus entre os humanos e a resposta ciumenta de Hera. A versão que explica o nascimento do herói varia de fonte para fonte, mas há algum consenso sobre a convicção de o poder de Zeus estar dependente do nascimento de um sucessor de Perseu, pelo que o pai dos deuses decide engravidar a neta daquele, Alcmena, que era casada com Anfitrião (história que José Pedro Serra explica © Observador
